Sérgio Garcia

por SERGIO, 14/01/2015 às 18:26 em Grupo de Destaque II

O Professor Sérgio Garcia

É muito comum nos dias de hoje avaliarmos o sucesso de uma pessoa a seus rendimentos e a sua projeção social, sobretudo no esporte, onde impera uma cultura materialista, fruto de uma imagem projetada a partir da visão desacertada de uma sociedade que condiciona o triunfo ao dinheiro que dele se extrai. Todavia, é imperioso observar que nem toda riqueza é possível de ser expressa em moeda, assim como o sucesso não tem necessariamente ligação com a fama. Senão, como explicar atletas famosos, ricos e cheios de prestígio envolvidos em casos de doping, tráfico de drogas e até homicídios? E como não dizer que algumas trajetórias não são vitoriosas, quando nos deparamos com a do Professor Sergio Garcia (Serjão)?

No ano de 1989, com apenas 11 anos, Sérgio Luiz Garcia Ferreira Junior, foi apresentado ao treinador de basquete do Clube de Regatas do Flamengo que na oportunidade ficou fascinado com a estatura daquele menino, ofertando um convite para que o mesmo fosse treinar com sua equipe. Dona Maria D'Abadia, mãe de Serjão, vendo o entusiasmo do menino e a grande oportunidade de propiciar um futuro melhor para seu filho, não mediu esforços e passou a, todos os dias, levar seus três filhos de Campo Grande para Gávea. A distância e os demais obstáculos não pareciam suficientes para quebrantar a determinação de Serjão e sua Mãe e, já no seu primeiro ano, sagrou-se campeão estadual da categoria mirim.

O ano de 1991 foi marcado por duas graves cirurgias no quadril a que teve de se submeter Serjão, ficando afastado das quadras por dois anos. E foi nesse período de inatividade que Serjão pensou em desistir, mas não. Quem passa cinco horas por dias dentro de condução para treinar não desiste assim tão fácil e, já em 1993, Serjão voltou com força máxima, agora já com 2,06 m, destacava-se com uma das grandes promessas do basquete rubro negro.

Nos anos de 1994 e 1995, Serjão era figura certa entre os convocados para seleção carioca, tendo conquistado nos dois anos o vice-campeonato brasileiro nas categoria Infanto-juvenil e Juvenil. E no ano seguinte, transferiu-se para o Olaria Atlético Clube de onde saiu em 1997 para o Bonsucesso Futebol Clube.

Se dentro das quadras as coisas iam de vento em popa, fora delas não. Serjão, envolvido com os afazeres das quadras, acabou por se descuidar dos estudos, ao que deu parcial solução em 1999, concluindo o ensino médio e, de quebra, transferindo-se para a Hebraica, onde brilhou no estadual com um dos principais "reboteiros" da competição.

O excelente desempenho no último torneio não rendeu os esperados frutos, um convite para integrar o elenco de um clube de maior investimento. Mas, a vida não fecharia as portas para Serjão e, no mesmo ano, surgiu um convite para que ele ingressasse em uma universidade através de uma bolsa para atletas e, após negligenciar os estudos por sete anos, Serjão abraçou a oportunidade com os longos braços que Deus lhe presenteou. Atuando pela Castelo Branco e novamente pelo Olaria, Serjão disputaria ainda em 2000 e 2001 alguns torneios, nos quais destacou-se como sempre; entretanto, a vida parecia traçar outros caminhos para o atleta.

Casado e pai de um menino, Luiz Henrique (cuja aptidão para o basquete já se percebe a olhos vistos), o atleta Serjão foi convidado a estagiar como Professor na Vila Olímpica do Fubá, oportunidade enriquecedora para os aprendizados como treinador e, já no ano de 2003, o de conclusão do seu curso em Educação Física e de convocação para o concurso do Tribunal de Justiça, Professor Sergio Garcia (Serjão) sagrou-se campeão do III Rio Open Juvenil Masculino, pela Escola de Basquete da Escola Santa Bárbara, agora como treinador. Com saudade de jogar basquete e atendendo a inúmeros apelos, Serjão ensaia uma volta às quadras, assinando com o Iguaçu Basquete Clube em 2006, mas os compromissos de pai, marido, servidor público e treinador de basquete não lhe concederam tempo para jogar e Serjão disputou apenas parte do campeonato Estadual.

Em 2008, já professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro, a escolinha de Basquete do Santa Bárbara, comandada pelo Professor Serjão, já havia formado e encaminhado atletas para Vasco e Flamengo, o que sem dúvida é um imenso orgulho para entidade e para o Professor. O ano de 2008, também foi pródigo no lar da família do Professor Sergio Garcia (Serjão), com o nascimento do seu Filho Gabriel, o "Biel".

Em 2009, Professor Serjão assume a equipe universitária de basquete da Universidade Moacyr Sreder Bastos, continuando com a Escolinha de Basquete da Escola Santa Bárbara, agora Escolinha de BaSe (Escolinha de Basquete do Serjão), com os dois empregos públicos e com a responsabilidade de tocar uma família abençoada. Diante da trajetória acima descrita, não mais se pode negar que Serjão venceu na vida. O gigante menino que rompeu as mais diversas barreiras que a vida apresentou, hoje não só é Professor de Educação Física, como que se houvesse em alguma faculdade do país o curso "vida" seria ele também um catedrático.

O esporte não lhe rendeu fortuna nem fama, mas sem dúvida transformou o menino Sergio Luiz Garcia Ferreira Junior em um homem digno e de retidão invejável no trato social e familiar, mostrando definitivamente a relevância do esporte na formação do caráter dos jovens.

Por professor Rafael Henriques da Costa



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